Agostinho

2 mar

Um dos meus exemplos e referencia de vida é meu avó ” Seu Agostinho“, partiu quando eu tinha 8 anos, mas até hoje o que ele era, esta forte dentro de mim, o exemplo dele como homem, ficou guardado na minha cabeça de moleque de 8 anos, e a cada dia, diante das coisas que acontecem comigo,e  com o mundo que vivo, eu vejo sentido na forma como ele agia diante de diversas situações.

Era pedreiro, construiu diversas casas no bairro e fora dele. Quando se cogitava construir, não se falava em outro nome que não o dele. Meu pai trabalhava muito até de madrugada, chegava estávamos dormindo, levantava da cama e ia trabalhar de novo, e esta fase de nossa vida foi muito ligada ao meu avô que ocupou o papel dele em muitos momentos.

Meu avô era pai e avô amoroso e responsável.

Era marido fiel, atencioso e apaixonado por sua família.

Gostávamos de ir trabalhar com ele. Eu nunca tive tanta habilidade pra trabalhos manuais, e meu irmão Washington nisso era e é o mais parecido com ele até hoje, tem habilidades manuais em tudo que faz, e cria.

Mesmo sem tanto jeito para aquele trabalho, de pedreiro, eu estava lá, gostava de estar com ele, e hoje entendo que estava inconscientemente o observando, o admirando. Todo garoto se apega em alguem, e isso é importante pra sua vida, é ali que ele vai encontrar referências pra crescer,  ferramentas e armas pra se portar diante das situações da vida. Por isso alguns garotos , são mau orientados, por faltar a eles alguém que lhes transmita estes valores.

Lembro dele levantar  de madrugadinha se ajeitar, do cheiro do café, e dele indo trabalhar.

Lembro dele sempre correto e pontual no seu trabalho, o que fez dele respeitado e admirado até hoje.

Lembro quando ele saia do trabalho de tardezinha, passava no bar, saudava todos e tomava sua pinguinha. Não era de ficar em boteco, muito tempo, e nem de ficar jogando conversa fora se embebedando. Eram só alguns minutos, e continuava seu caminho pra casa. Jamais o vi bêbado, desequilibrado, nem numa briga, ou discussão de rua.

Em casa jantava e depois fumava seu cigarrinho de fumo de corda junto com minha vó, coisa que os dois preparavam juntos, enquanto falavam da vida, do dia, dos filhos e de tantas outras coisas.

Lembro das terças que íamos á igreja evangélica perto de casa, coisa que ele decidiu fazer sózinho de uma hora pra outra quando chamou  meu irmão e eu, para algo que viraria rotina, ir ao culto de terça.

Desta parte da vida de meu avó, eu guardo diversas lições pra minha vida na caminhada do evangelho.

Ele entrou na igreja, ouviu os canticos, a pregação, e foi embora, da mesma forma como fazia no boteco. E assim sempre foi.

Jamais o vi levantar a mão em um ato de aceitação á Cristo com era insistido todo fim de reunião enquanto as pessoas olhavam pra ele, que parecia nem estar ali.

Jamais o vi, se apegar a igreja, ter ambições de ser algo lá, ao contrário de muita gente.

Jamais o vi responder as afrontas, dos líderes que jogavam indiretas nas pregações, por te-lo visto no boteco tomando sua dose da pinguinha diária, ou que soubessem de seu cigarrinho de fumo. Ele jamais se importou em pensar se aquilo o levaria pro inferno, isso jamais tirou sua paz, isso jamais o atingia.

Lembro sim, de ver as lágrimas nos olhos enquanto ouvia os canticos e sussurrava com os olhos fixos em algo que parecia estar longe da visão de todos ali.

Lembro dele orando baixinho em algum momento de seu trabalho, ou no caminho, de vez em quando com lágrimas, de vez em quando com um sorriso no canto da boca, como se ouvisse coisas que ninguém ouvia, batendo um papo dos mais deliciosos com o Pai

Lembro de meus irmãos gêmeos, e do estágio grave que estava o sarampo deles ainda recém nascidos. Minha mãe estava desesperada, naquela época o sarampo era um terror e matava muitas crianças.

Meu avo chegou olhou os bebês como fazia com todos os netos antes de jantar. Brincou com eles ainda novinhos no berço, e no caminho da porta para ir embora, disse a minha mãe que Deus iria curar eles.

Ele não disse pra minha mãe  ir a igreja, que meus irmãos seriam curados.

Não disse pra ela se converter, e nem que ela iria pro inferno.

Não levantou a questão de que aquilo era uma ação do diabo na familia dela porque ela não era crente.

Não disse nada mais! Disse apenas que Deus iria curar meus irmãos.

Embora não houvesse convite para ir a igreja ou virar crente, naquela noite de terça, minha mãe arrumou todos nós e partiu pra igreja junto com meu avô, que em silêncio como sempre, parecia saber de tudo.

Lá ela se converteu, e naquela noite meus irmãos foram curados do sarampo que estavam totalmente secos na tarde do outro dia e sumiram totalmente em poucos dias.

Falar muito, e alto, não era com ele. Falava pouco, mas era direto, nunca chamou ninguem pra ir a igreja, nem pregou em alta voz. Nunca disse pra alguém que este deveria virar crente ou vir pra Jesus, nunca proferiu á ninguem a tão famosa frase que diz: Jesus te ama!

O velho silencioso era a própria pregação e exemplo. Seu caráter era de um filho de Deus, sua familia era suprida de amor, era responsável, domava sua lingua, e não se metia a religioso.

Sua maneira simples de viver a vida, e seu desprendimento eram o maior reflexo de que aquele homem era um homem de Deus.

E mesmo sem nunca pregar, e nem convidar ninguém , em pouco tempo muita gente da nossa rua estava la na igreja junto com o “Seu Agostinho”.

Ele deixou a igreja da mesma forma que chegou, sem alarde, sem avisos.

Nunca disse a ninguem que era crente, e nem de religião alguma, mas sempre deixou claro com suas atitudes que era diferente, eo mais importante,  que era intimo do Pai.

Nunca se prendeu em costumes e rituais, seguiu o caminho da simplicidade, do discípulo e aprendiz silencioso.

Na palavra de Deus o apóstolo Paulo um dia disse para sermos seus  imitadores, assim como ele imitava á Cristo.

Acredito que existam muitos homens como Paulo, como Seu Agostinho, e tantos outros, que são dignos de serem imitados, por carregarem em si Jesus Cristo vivo. Por abdicarem de rótulos, e posições, pra serem simplesmente luz, uma luz  silenciosa, mas tão forte que é impossivel não percebe-la, tornando quase que  impossível não ser tocado e iluminado por ela.

Hoje o mundo exige demonstrações para comprovar o que somos. e no meio cristão não é diferente.

Você tem que se parecer, tem que mostrar frutos visiveis aos olhos humanos que quase sempre são riquezas materiais, doses de espiritualidade extrema, ou tantas outras coisas fúteis.

Nossas ações de evangelismos devem causar estardalhaço,  impactar e parar o transito.

Temos que gritar e mostrar que ali tem um crente.

Temos que ser identificados por nossa roupa, por nossa bíblia embaixo do braço, pelo palavriado podado e diferente do resto do mundo.

Mas não nos damos conta que nosso maior testemunho não são nossas guitarras, e cânticos, nem nosso templos grandes, ou nosso programa de TV que exibe milagres 24horas. O maior testemunho  somos nós mesmos.

Não damos conta que nosso maior testemunho é nossa vida, nossa conduta. Nosso andar pela vida é que mostra Deus em nós, ou não.

Nosso silencio que causa curiosidade, mas que grita aos ouvidos espirituais dos que nos veem, que temos algo diferente.

E que este algo diferente, não é nossa religião, nem nossa igreja, ou posição.

É Jesus  Cristo!

Que somos cheios Dele, e que somos amigos Dele.

Que ouvimos Ele falar num mundo onde os homens não tem tempo de ouvir uns aos outros

Que amamos com atitude e amor de Cristo, e não como Marketing religioso ou pessoal.

Siga querendo imitar os bons exemplos, e em Jesus busque ser um bom exemplo a ser imitado.

Gerações e tempos não podem quebrar isso, esta marcado em mim.

Carlos Alberto Correia

01/03/2012

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2 Respostas to “Agostinho”

  1. Washington luiz da silva conceição março 3, 2012 às 8:12 pm #

    você só se esqueceu de quando ele conheceu o seu sebastião depois voce conta ainda ficou bem melhor a historia

    • ca correia março 3, 2012 às 9:35 pm #

      Verdade, pode crer, ai fica muito mais engraçado também, os dois eram parceiros.

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