Cheios de vazio

28 jan

garrafas_pet

Como todo paulistano já peguei várias enchentes. Numa destas chuvas fortes, peguei um temporal de quase meia hora, mas destruidor. A  água subiu tanto que tive que me abrigar num murinho de quase 2 metros. E ali no murinho com outras pessoas esperei a água baixar, para seguir cada um seu caminho, e a vida voltar ao normal.

 

Mas se passou muito tempo, e a água da breve e forte chuva não baixava. Sendo assim, alguns impacientes se aventuraram na água suja. Um homem desafiou a enchente, ergueu  sua maleta para que esta não molhasse, e lá se foi na água que batia no peito, até pisar em algo que o fez perder o equilíbrio, e o fez temer, a ponto de largar a maleta pra se manter em pé. Voltou, pegou a maleta da água, e lá do outro lado o víamos  se lamentar por não ter protegido o que tinha nela e que devia ser importante, mas estava molhado de água suja agora. Outra senhora, que reclamava o tempo todo, também perdeu a paciência, e foi. Mas logo que caiu na água, viu que não era tão alta, e a água que batia no peito de alguns, a cobriu por inteiro, e em desespero ela tentou voltar, agarrando- se nos tijolinhos furados do murinho, até que a ajudamos, e ela voltou meio envergonhada e arrependida.

 

A água baixava lentamente, e  já dava pra  perceber o porquê daquela água demorar tanto pra ir embora. Dos três bueiros dali  lotados de lixo, um deles chamou minha atenção, estava entupido em sua maioria de garrafas pet, aquelas de refrigerante, que  víamos passar o tempo todo navegando na enchente. Pensei, nenhuma daquelas garrafas tinha a coca cola que dizem fazer mal á saúde, nem o refrigerante que engorda ou causa diabetes, nem o refrigeréco barato com gosto estranho.                                                               Nada disso! Estavam vazias, e se sozinhas pareciam inofensivas, juntas eram um exército resistente á toda aquela água.

 

Lembrei-me desse temporal pouco antes de compartilhar com meus amigos irmãos na Comunidade Remanescentes neste fim de semana, enquanto eu lia , Efésios 5: 6-21, onde somos incentivados a buscar ser cheios do Espirito Santo, deixando de lado as coisas vãs, vazias, infrutíferas, torpes, e inúteis.

As tempestades da vida virão sobre todos, seja quem for, creia no que crer, o  grande desafio é: Como vai ser? Como você vai se portar diante dela? O que você é, e do que você é cheio pra suportar a tempestade?

Muitos temporais mesmo rápidos deixam um enorme estrago, e os efeitos disso muitas vezes são sentidos pra sempre, porque ninguém se preocupou com as inofensivas garrafas pets da vida.  Deu-se ênfase as coisas que julgávamos pintadas de mal, rotuladas de mal, ou cheias de mal, pois diziam ser assim.

Mas uma garrafa pet?

Nããããão! Afinal, é só uma garrafa vazia. E de coisa vazia, em coisa vazia, a gente se enche.

Aquela discussãozinha vazia que dura uma vida, e acontece todo dia nos mantendo na imaturidade, na mesmice.

Debates vazios do tipo:

O que podemos vestir?

O que podemos beber?

Aonde ir e como ser?

E na hora que o temporal é  isso que temos dentro de nós, (e por mais redundante que pareça)  somos cheios mesmo é de um monte de nada.

 

 

Mas quando o discurso é ser cheio do Espirito Santo, mesmo assim pode ser um problema, pois, muitos mesmo nessa disposição estocam dentro de sí ensinamentos vazios. Tudo porque os caminhos a serem percorridos nesta busca de vida, são ignorados, ou escondidos.

Pregamos que para ser cheio, é necessário participar dos eventos da igreja, dos propósitos dela. Todo ano, igrejas lançam marketings do tipo: O ano de Daniel, de Ezequiel, e o ano desse ou daquele profeta, e tal. Tem também aquelas que criam slogans como: O “Ano da benção”, ou “O Ano de colher” e coisas do tipo.

Desta forma vão prendendo as pessoas num enredo anual e fazendo-as seguir a uma trilha imposta desenhada pra parecer a busca por ser cheio do Espirito Santo, mas não é.

Ensinamentos  que ignoram importantes etapas, enquanto Deus diz para antes termos a decisão de fugirmos e descartarmos da maneira correta  tudo o que é vazio, tudo o que é fútil, infrutífero e torpe, é isso o que é oferecido para as pessoas.

 

Aprendemos que ser cheias é, ser prósperos financeiramente, ou que  é perder o controle de sí numa reunião e gargalhar, chorar, pular e fazer golpes como os de karatê. Aprendemos a ver o que profetiza ou fala em línguas, e age como um vidente, como o símbolo do que é ser cheio do Espirito Santo. Ou que ser cheio do Espirito é nunca ficar doente, nem problemas, nunca passar por tempestades.

Pobres, cheios de vazio! De um Espirito que só enche pessoas dentro do ambiente ou esfera religiosa, só existe no culto, na reunião, e na igreja ou nas coisas autenticadas por ela, algo que só traz sustância dentro da bolha religiosa, mas é vazio para a vida.

É na vida e no seu dia a dia que a tempestade vem,  que as coisas são e estão. Na igreja a esposa não apanha, não é traída, não é maltratada . Na igreja o homem desempregado não recebe a contas de luz, de água, e outras. Lá ninguém é cobrado pelo cônjuge os afetos, as responsabilidades. La os jovens pulam e dançam, pois não tem drogas, não são bombardeados com os assuntos polêmicos e questionamentos sobre sexualidade, comportamento que tomam a idade. Mas e la fora?

 

 

Quando falo neste  assunto alguns  acham que eu prego contra a igreja, e a frequência destes lugares.

Não é isso! O problema é uma igreja que é um fim nela mesma,  que não prega um evangelho que serve para viver lá fora, dando as pessoas a impressão de necessidade de correrem pra lá quando os problemas aparecem. Uma igreja que  joga dentro das pessoas pets vazias nos domingos e quando encontram as tempestades não sabem lidar com seus efeitos.

Reclamam, perdem a paciência e se jogam nas águas,  descobrem que não dão conta,  se afogam e pedem socorro, enquanto alguns morrem espiritualmente. Se se expõem, sacrificando o que é mais importante, pra privar o que é fútil. ( lembra do cara da maleta, que arriscou a vida pra salvar o que eu acho que seja papéis?).

 

O Vazio não deve ser tratado com descaso. As garrafas pets têm lugares certos pra serem descartadas ao invés de serem ignoradas. Os vazios de nossas vidas também devem ser direcionados a lugares para serem lançados e jamais voltarem, e jamais se tornarem um problema ocupando o espaço que deveria ser cheio de maturidade, sabedoria.

Temos nossas formas lógicas de pensar e encarar as coisas. Olhamos pra algo e julgamos: Vazio ou cheio, de Deus e do diabo, bonito e feio!

Ignorando que, se possível o inimigo se vestiria de anjo de luz pra nos enganar.  Não virá vestido de vermelho e de tridente, não nos dará um cartão de visitas dizendo: Olá sou o diabo!

Tudo é muito sutil! E é bem mais fácil, menos trabalhoso, fazer coisas bonitas, aparentemente santas, e espirituais, mas vazias.

É bem mais fácil também fazer de conta que nada tem tanta importância, e dizer:

Não liga pra isso!

Ou então:

Ah isso Não é nada, não tem problema algum deixar ai!

Pois é assim que o aparentemente inofensivo e vazio é descartado da maneira errada, lançado pra dentro de nós, nos sufocando na hora da aflição.

 

 

Deixe de lado as mesmas discussões de sempre. Se encher de Deus não é seguir passos determinados por outros , deve ser uma decisão sua, hoje.

Decisão de abrir mão do que é inútil pra caminhar. Decisão de não falar mais disso, não bater e não insistir mais. Decisão de descartar da maneira certa, entregando nas mãos daquele que disse que confiemos a Ele nossa vida, nossas ansiedades, nossos pesos, Aquele que nos daria leve fardo, que embora seja leve, não é vazio, mas cheio de vida para toda a vida.

Se encher do Espirito não acontece em um evento de fim de semana e suas continuações. Desculpe mas 90% das pessoas que foram a estes encontros não mudaram nada, e se alguém ficar bravo comigo por isso, peço que me perdoe, mas que pense em todas as pessoas que estiveram com você lá, desde o inicio, e como a maioria delas se portaram diante de algumas tempestades. Pense e encontrará jovens que vem e vão. Que um dia são fervorosos, em outros são frios, distantes e duvidosos por não lidarem com coisas como sexo, drogas, e com se relacionar com o mundo. Ponha num papel  e encontrará muitas pessoas inconstantes que se evadiram disso.

 

 

Encher do Espirito Santo é um exercício diário.  E como se não houvesse ontem e nem amanhã, dizer: Eu me esqueço, descarto, lanço de lado, as coisas que ficaram para trás, que são vazias, que são fúteis para a vida, e  hoje, avanço mais um pouco, pelo menos mais um pouquinho, para as coisas que estão adiante. Prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

E tendo Jesus como alvo, e não se enredando em “O ano disto” ou “daquilo”,  se decidir de vez por uma vida com Jesus, somente, já não se importando se essa vida tenha mais 30, 40 ou 50 anos. Nem mesmo se ela tenha mais uma semana ou que ela se acabe antes que eu escreva, ou que você leia isso tudo. Mas se importando somente que Cristo foi o único alvo, a única meta, o único tesouro desta vida.

Pois Jesus Cristo, não cabe só na redoma religiosa, Ele é maior.

 

É Maior que a vida, maior que as tempestades.

Sua presença nos enche da certeza de que não é preciso se desesperar com a água que sobe, pois Jesus ali esta. Seja para mandar a tempestade se calar e se retirar, seja para mandar um murinho para que possamos nos abrigar com paciência para esperar os efeitos dela  passar e poder seguir em paz.

Seja até mesmo para que, enquanto águas subam e que por fim sem saída nos tirem a vida. A mesma tempestade seja chamada de tola com suas águas. Pois assim é com os que pensam que podem tirar a vida dos que são cheios do Espirito. Não podem roubar a vida, pois neste caso Jesus Cristo, nos receberá para a vida eterna, , pois nesta sim, as tempestades não mais existirão.

Carlos Alberto Correia

Com. Remanescentes

28/01/2013

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