O dia em que Jesus disse: Hoje não estou pra ninguém!

18 fev

pés-de-jesus

Marcos 7: 24-29

De repente Jesus decidiu sair da aglomeração da multidão. Decidiu não dizer nada , nenhum sermão, nenhuma parábola, tão pouco algum ensinamento.

Decidiu não curar ninguém, não fez nenhum sinal, não se envolveu em nenhum episódio com os chatos dos fariseus que pegavam no seu pé constantemente.

Nada!

E quieto partiu para as bandas de Tiro e de Sidom e lá se isolou numa casa, largando os discípukos do lado de fora e dizendo que não queria ser incomodado por ninguém.

Mas Jesus?

Diriam alguns, espantados com o comportamento daquele que até então era só “Jesus paz e amor”, simpatico, receptivo, e  presente.

Sabia que ele não ia suportar o tranco! Diriam outros nos dias de hoje.

Mas é verdade, Jesus largou mesmo todo mundo falando sózinho.

Pra muita gente pode parecer muito estranho este comportamento de Jesus, mas pensando aqui comigo mesmo, não acho mais isso.

Acharia perfeitamente normal se Deus um dia decidisse não ouvir nenhuma oração, não atender ninguém, fazer silencio e mesmo estando lá em sua onipresença, silenciar-se.

Acharia perfeitamente normal se em algum texto dos evangelhos Jesus falasse a multidão que muitos deles não passavam de exploradores, folgados que não o viam ou não o consideravam Filho de Deus coisa nenhuma, e que queriam memso só milagres, soluções e facilidades. Seria normal se Jesus dissesse que estava dando um tempo de todos e que ia dar uma relaxada.

Parece estranho! E confesso que pra mim também iria parecer muito estranho um tempo atrás. Mas hoje seria normal.

Pense comigo. Quem melhor que Deus pra saber o que se passa no coração de todos?

E  quem melhor que Jesus pra saber as intenções, os propósitos, e as reais necessidades dos que o rodeavam?

Por acaso ele não sabia que muitos dos que perguntavam coisas relacionadas a lei, não o faziam somente para o expor como inimigo dos costumes e das tradições, só pra botar lenha na fogueira?

Por acaso ele não sabia que muitos dos “pobres” mancos, aleijados e doentes, o buscavam por que queriam ser curados, mas nada mais além disso.

Será que não sabia, que enquanto ele dizia ser e agia como filho de Deus, muitos ignoravam e queriam mesmo que ele fosse um revolucionário que levantasse um exército e tomasse o poder e os livrasse dos Romanos.  E que alguns queriam estar ao lado delel só pra se auto promoverem, e ganhar uma vaguinha de destaque nesse novo governo?

Sabia que por trás de sorrisos e tapinhas nas costas, tinham interesses, curiosidade, inveja, fúria, desconfiança, conformismo. Tinha o desejo de sugar dele o que pudesse, de se enconstar nele e saber qual era o menu do dia, o que ele multiplicaria para o rango desta vez.

Sabia e sentia quando alguns se achegavam a ele com sinceridade. Sentiu no meio de tanta gente o apertando e querendo chamar sua atenção, um toque sincero, discreto de uma mulher  com fluxo de sangue que só queria tocar crendo que isso bastava, sem chamar atenção.

Sendo assim,  hoje, eu não acharia nada estranho que um dia, pelo menos um dia, Jesus quisesse se poupar de toda aquele ajuntamento de intentos e desejos da multidão em relação a ele, e decidisse passar um tempo só, sem receber ninguém.

Por isso não acho estranho Jesus ter ido onde foi, e ter dito aos discipulos para que ninguem soubesse que ele ali estava.

Pois bem! O Filho de Deus, aquele se se despojou de ser Deus e se fez homem por nós, e sendo homem, se cansando, tendo fome, sede e frio, também decidiu que não estava pra ninguém.

Deus se silencio em Jesus!

E como agir ao silêncio do Pai?

E com quebrar esse silêncio?

Precisamos dele toda hora!

Clamamos por ele, muitas vezes sem entender ou decifrar nossos reais intentos, nossas verdadeiras vontades. Não sabemos do que precisamos. Achamos que precisamos “X”, quando a verdade é que precisamos “Y”.

Somos confusos! E ai,  na nossa confusão de pensamentos, desejos e petições nos deparamos com a porta de Deus fechada. damos com a cara na porta de Jesus. Nos deparamos com o silêncio de Deus!

Seria uma pegadinha de Jesus? Penso eu.

Queria ele pregar um susto na galera e fazê-los acordar pra real?

Sei lá! mas a verdade é que foi impossivel ele se esconder, não teve jeito e todo  mundo ficou sabendo que ele estava lá dentro.

Penso nos discípulos doidos pra  darem uma espiadinha, e com o pretexto de saber se ele precisava de algo, sondar o que estava havendo. Penso na multidão querendo chamar, chegar, mas sendo contida ou advertida pelos discípulos que faziam o papel  de seguranças, fazendo cumprir as ordens de Jesus.

Ele quis fugir, quis ficar só, mas não teve jeito, lá fora estavam todos eles, sinceros e falsos, necessitados e folgados, interesseiros e bajuladores, doentes, e atormentados na alma que pensavam ser doentes só no corpo. Todos do lado de fora com seus pedidos.

Mas alguém não ficou lá, uma mulher furou o bloqueio dos discipulos, desobedeceu as regras de distancia, ignorou as ordens. e invadiu.

Não chamou no portão, não bateu na porta. Invadiu, e se atirou aos pés de Jesus quebrantada, com coração derramado, sincero.  Precisava de um milagre, mas não era daquele tipo de gente que Jesus via toda hora.

E se a palavra diz que, pedimos e não recebemos porque pedimos mal. A mulher mostrou que ser ousada não era fazer como somos ensinados a fazer.

Ser ousado no pedir não era  dar cor, tamanho, marca e dicas, pra Deus saber o que precisamos, como se diz que tem que ser por ai.

Ser ousado não é nada disso que arrasta pessoas a campanhas, templos, que reforçam clamores de ordem e “sugestões claras” do que Deus deve fazer.

Pedir bem não é decretar o que Deus deve fazer, como se ele fosse um serviçal.

Pois a estes que assim pensam, só resta o silêncio do Pai. ele não poderia alimentar isso, ele não fecharia os olhos a isso, ele não alimentaria desejos cinicos, e mimaria gente as aquecendo para os infernos da vida real, do dia a dia.

A mulher mostrou que ousadia de verdade foi pegar a sí mesma e ter a coragem de se quebrantar, se prostrar diante  daquele que é Deus. É a coragem de se colocar como “um nada”, e sem medo do escandalo, do que iam dizer ou pensar, se fazer como um cãozinho ao pé da mesa, esperando que num ato de misericórdia algum farelo, algum pedaço, caísse.

Entendeu mais do que os outros que queriam se assentar a mesa, e ter o melhor da Terra.

Entendeu o que os fariseus, entendidos da lei, os que se diziam eleitos, separados e únicos, não entenderam, não enxergaram.

Entendeu que a única coisa que quebra o silêncio do Pai é um coração quebrantado. Salmos 51:17

E que Deus não resistia aquele ato de desprezo de alguém  por sí mesmo e total entrega, fé e contrição verdadeira.

A mulher que não era judia, não era descendente dos heróis. A mulher que não estava em todos so cultos semanais. Que não se achava a filha do rei que poderia determinar, decretar, autorizar e liberar coisas. Que entendeu que dela mesma não vinha poder algum pra ordenar a Satanás coisa alguma.

A mulher que nem era chamada crente, que não era da irmandade, que não rorava alto. A mulher que não fazai cara de piedade quando jejuava pra todos verem e saberem. A mulher que não fazia papel de autoridade, nem de santarrona.

A mulher de outro povo, oura nação, aos quais os judeus  “os eleitos” se referiam como  “cachorrinhos”, e  que muitos de nós tratariamos como incredúlo, pecador, candidato ao inferno, entendeu, enxergou, alcançou, e não só quebrou o silêncio de Jesus, mas tirou dele admiração.

E assim Deus que tudo sabe, e que se fez homem e se permitiu admirar-se com o homem de coração quebrantado, se permitiu também sentir como um golpe baixo de tanto amor e verdade daquela mulher, e assim o Pai não conseguiu mas ficar silencioso, ficar distante, ficar recluso. Não dava mais.

Pois um coração quebrantado pra adorar, encontrou o coração quebrantado do Pai pra abençoar e amar.

Não deu! Por mais que quisesse, a mulher balançou Deus, o deixou sem jeito. E Ele, Deus de amor sorriu e sorri todos os dias com isso, explode de alegria quando um coração quebrantado invadi sua presença. É tudo que Ele quer, é tudo que ele anseia. é tudo que espera de você.

Guarde seus pedidos errados, sua arrogância que trata Deus com um garçom, que faz tudo pela sua gorjeta em forma de dízimo ou oferta. Que tenta sequestrar o coração de Deus, manipula-lo e leva-lo a atender sesu caprichos.

A mulher entendeu que o melhor pedido, era que fosse feita a vontade de Jesus, e que qualquer farelo de graça, amor e misericórdia que viessem Dele seria tudo o que avida precisa pra ter sentido e pra ser vivida.

Entendeu que o coração quebrantado, é tudo o que se precisa pra quebrar o aparente silêncio de Deus.

Abraço á todos

Carlos Alberto Correia

17/02/2013

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